Beth Coe Maeda

Foto de Beth Coe Maeda


Em abril de 2000 meu hobby era pintura a óleo sobre tela.

Nesse mesmo período iniciei na cerâmica pelas mãos de Jacy Takai, cativante com sua maneira oriental de ser. Sua sabedoria me fez trilhar os caminhos da paciência ao lidar com a argila. Eu desconhecia quantos estágios eram necessários para que tivesse uma boa peça. Modelar era o de menos.

Vieram as aulas com o professor Marcos Mesquita (Fundação Mokiti Okada) que me ajudou em vários processos complicados de minhas pesquisas, como as queimas. Nessa época eu não tinha forno e ele queimava minhas peças – 1300º para o “paper clay” – com atenção e carinho.
Sem nenhuma intenção ou diretriz, me dedicava muito a tudo que me atraía na cerâmica. Me atirava de cabeça, estudava, estudava e arriscava. Veio então meu primeiro CONTAF, e conheci o SENAI Mario Amato Cerâmica, que estabeleceu o diferencial entre o “hobby” e a profissão. Nos anos que passei dentro do SENAI tive dos professores – Flávia, Elton, Minoru, Mitie, Dulce – muita atenção e incentivo. Além dos certificados adquiri conhecimento e vontade de continuar.

Foi no CONTAF que vi pela primeira vez Mestre Lelé. Eu quis aprender torno com ele, tinha que ser sua aluna. Não era só pela maneira com que ele torneava deixando a todos boquiabertos, era mais. Era a pessoa de quem eu havia ouvido falar a respeito, era a forma verdadeira com que o vi se expressar diante de centenas de pessoas. Eu gosto de pessoas assim. Nestes anos como aluna, pude mais do que comprovar tudo isso, pude ter resposta a todas as minhas perguntas – o Mestre tudo sabe sobre cerâmica, é incrível. Sua ajuda é de fundamental importância para que eu possa realizar o meu trabalho. Lelé, obrigada.

A primeira vez que eu vi um esmalte macro-cristalino foi num velho livro, numa pequena foto em preto-e-branco. Fiquei fascinada. Não sabendo se aquilo era possível, me encantei com a possibilidade de reproduzi-lo. Procurei por toda parte e nunca consegui colocar os olhos, muito menos as mãos, numa peça com esmaltes cristalinos. Os cristalinos são sedutores, excitantes. Os cristais têm rara beleza e parecem flutuar no vidro. A fascinação virou obsessão e eu ocupei quase todo o meu tempo nos últimos cinco anos pesquisando e desenvolvendo esses esmaltes. Para vencer os desafios tive que buscar o conhecimento. Para chegar até ele, muitos sacrifícios foram feitos, mas nunca reclamei nem pensei em desistir. Após cada fracasso, eu estudava ainda mais, testava, testava, e testava. O meu interesse inicial pelos esmaltes cerâmicos se baseava em obter uma variedade de cores na alta temperatura, para que pudesse dar às minhas peças um novo estilo com identidade. Em busca de novos materiais, alguns raros e outros muito caros, já percorri inúmeros quilômetros por esse Brasil afora e acabei descobrindo que essas pesquisas e testes nunca vão ter fim.

E as transformações no forno? Tão misteriosas que conseguem dar às peças esmaltadas com um mesmo esmalte, cores diferentes. Nem o ceramista mais experiente tem certeza da cor que suas peças terão após a queima.

Quando uma peça minha é pensada, desenhada e executada, nasce ao mesmo tempo uma nova pesquisa de esmalte cerâmico.



Eternas paixões

A música




Duas rodas



Pintura em tela



Artesanato em couro

Atividade no início dos anos 70 participando da organização e inauguração da Feira Hippie de Goiânia na Av. Goiás e que acontece até hoje nos dias de domingo na Praça do Trabalhador.